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03/12/2004 - Matawi Tepuy
Antes de começar a contar o dia de hoje, queremos ressaltar um ponto: toda região tem uma BELEZA ímpar, é um festival de UAUS a cada passo dado. É impressionante como a beleza do lugar surpreende a cada olhar.
O sol nasceu sereno e logo coloriu o céu de rosa. A luz da manhã é imbatível para ressaltar as belezas da região, e sentir a força dos Tepuys e dos ventos.
A região é formada por 5 montanhas (ou tepuys). São estes: Monte Roraima, Kukenan, Yuruani Tepuy, Wadakapiopué Tepuy e Kuraurin Tepuy .
A paisagem desta manhã era principalmente formada pelo Kukenan (que significa águas túrbias) com seus 2.650 metros de altura, uma grande chapada que fica ao lado do Monte Roraima (quem tem 2.723m). Naquele se forma o salto Kukenan, uma queda d’água com 610 m de altura, considerada a segunda mais alta do mundo. Essa mesma montanha tem um nome popular de Matawi tepuy. A palavra matawi na língua pemon significa “vou morrer”. Diz a lenda que um índio caiu de um dos abismos desse tepuy, e ao cair gritou “MATAWI!!!” , e aí o nome ficou. Atualmente está proibido fazer o trekking até ele, pois não apenas uma vez, pessoas desapareceram ao tentarem explorá-lo.
O Monte Roraima é considerado a mãe de todas as águas, devido a hidrografia do tepuy. Nele há inúmeras nascentes, rios, lagos… pudemos ver com nossos próprios olhos e sentir em nossas peles as águas cristalinas que fluem por lá. Na língua pemon, Roraima significa grande verde azulado, devido a cor que o monte ganha ao ser visto de longe. “Ima” é um sufixo para grande, e “roroi” significa verde azulado.
Uma outra lenda diz que o Monte Roraima significa tudo que é bom, o lado feminino e acolhedor, enquanto o Kukenan é o lado maligno e turbulento. Dizem que por isso o Monte Roraima acolhe e fascina tanto seus visitantes, enquanto o Kukenan ainda representa um lado perverso e muito mais misterioso.
Bem, nossa visão da manhã era essa. Unindo aí mais alguns elementos: um rio com pedras delicadas, árvores com troncos retorcidos, flores, um céu azul super azul com nuvens bailarinas, o paredão dos tepuys que estavam dourados com a luz do sol nascente e nossos olhos repletos de alegria e de amor pra dar. Sensação de perfeição e equilíbrio entre todos os elementos.
Hoje caminhamos 11km em um percurso de subida constante, mas pouco inclinada. Saímos de uma altitude de 1.110m para chegar ao acampamento base do Monte Roraima a 1.870m.
Nosso grupo estabeleceu um clima delicioso. Camila e Rafa estavam tão fascinados quanto nós por todo aquele cenário. Cada detalhe era vivido com intensidade e alegria. Nossa caminhada foi lenta, pois não queríamos perder nenhum detalhe. O caminho foi cheio de sensações, comentários, fotos, filmagens…
Encontramos uma igrejinha católica no meio do vale, sendo construída com pedras brutas, cruzamos o rio Kukenan que nos ofereceu um longo e maravilhoso banho com vista para nosso destino, o Monte Roraima. Lá conversamos sobre a vida e sobre as lendas da região. José, nosso guia, tem muito conhecimento e aos poucos vem compartilhando conosco sua sabedoria.
O sol quente tornou a caminhada mais dura. Há água em todo o trajeto, e por isso a sede nunca é um problema. Vira e mexe José nos presenteava com um lanchinho. As flores foram brotando no caminho…
O acampamento base era muito lindo. Fora o caminho que já foi repleto de UAUS, o acampamento base era um show a parte. As orquídeas já começavam a mostrar suas cores e formas. O paredão estava imponente e o céu azul contrastante. Aos poucos o sol foi se pondo, o céu ganhando cores novas, rosas, laranjas, amarelos, lilases… e o vale verde tornando seus contornos mais nítidos. Seus desenhos encantavam. Já estávamos a uma boa altitude, e pela primeira vez tivemos a sensação de ver o mundo de cima.
O frio já alertava o corpo para se manter aquecido com a sopa do jantar e a meia grossa, e o vento batia forte desafiando nosso peso que mantinha a barraca firme no chão. Mesmo assim, a noite estava incrivelmente estrelada e dormimos bem… bem juntinhos...


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