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02/12/2004 - Rumo ao Monte Roraima!!!
Nosso grupo estava formado: Camila e Rafael, cariocas que vieram passar as férias na Venezuela começando pelo Monte Roraima; José Caracas nosso guia; Leonardo, um indígena da Guiana que nos ajudaria a carregar os mantimentos; José motorista da Toyoya 4X4 que nos levaria ao início da caminhada em Paraytepuy; e nós dois . O sol brilhava abençoando o grupo e nos dando permissão a entrar nas montanhas.
A melhor opção para quem vai conhecer o Monte Roraima é entrar pela Venezuela, numa região conhecida como Parque Nacional de Canaima, nas Gran Sabana Venezuelanas. O início da caminhada se dá na comunidade indígena Pemon da aldeia Paraytepuy, a aproximadamente 80 km de Santa Elena de Uairén. As expedições turísticas para o Monte Roraima são bastante organizadas. É obrigatório que uma pessoa indígena acompanhe o grupo, sendo como carregador, ou como guia. Uma decisão da associação dos guias, para que os indígenas se envolvam com o desenvolvimento da região e com o turismo. Pode-se contratar um guia “não indígena”, o que foi nossa escolha, uma boa opção para quem gosta de fazer muitas perguntas sobre as histórias da região, pois os indígenas costumam ser bastante calados e pouco comunicativos, até por falarem Pemon, sua língua nativa.
O turismo desenvolvido na região é bastante voltado para que o turista aproveite ao máximo sua caminhada e mantenha a saúde e alegria. Aconselha-se a ajuda de carregadores para aliviar o peso das costas e tornar o percurso mais prazeroso. Normalmente os guias são responsáveis por preparar a comida ( e fazem as compras também… e que compra!!!). Passa-se muito bem! Realmente, comer bem é importantíssimo em uma expedição como esta.
Nossa caminhada teria a duração de 8 dias seguidos. Faríamos o trajeto chamado de PROA, cruzaríamos todo o Tepuy (montanha tipo chapada, na língua Pemon)… estes detalhes vocês entenderão ao longo de expedição… São muitas informações, muitas histórias e significados.
A paisagem era especialmente bela. Todos animados, com as mochilas prontas e dispostos a andar.
O percurso de hoje teria 12km. Os tepuys estavam longe, pequenos, e o mistério das montanhas rondavam nossa imaginação. Sabíamos que em alguns dias estaríamos lá em cima. Sabíamos que aquilo que estava tão distante se tornaria cada vez mais grandioso e cheio de detalhes.
Hoje caminhamos pelas savanas. São áreas com pouca vegetação, capim, árvores baixas, com o Monte Roraima e o Monte Kukenan (ou Matawi tepuy) ao fundo. Incrivelmente eles foram se aproximando com velocidade (Maomé vai até a montanha ou a montanha vem até Maomé?), e no fim de nossa caminhada os paredões já mostravam seus detalhes e contornos.
Chegamos ao acampamento nas margens do rio Tek no final da tarde. Fomos recebidos com uma estrela cadente verde enorme. Impressionante! Enquanto armamos nossas barracas, lutamos uma árdua guerra contra os Puri Puris (tipo pernilongos da região), e nos aventuramos a tomar um banho gelado no rio Tek; nosso super guia José preparava a janta dentro de uma cozinha improvisada com grande estilo. A dispensa era uma coisa de maluco! (Vale a pena ver a foto). Um carregador se torna imprescindível para o estilo de alimentação implantada pelas agências locais.
A noite foi estrelada. No meio da noite a lua nasceu por trás do Monte Roraima… um espetáculo.


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